Sonho Grande

O que os três homens mais ricos do Brasil podem ensinar?

Há bastante tempo, três brasileiros figuram entre os empreendedores mais bem sucedidos do mundo: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira.

Em conjunto, o trio controla empresas como o Burger King; as Lojas Americanas e o seu conglomerado online que inclui Submarino, Americanas.com e Shoptime; a AB Imbev, dona de marcas como Budweiser, Stella Artois, Antarctica e Brahma; e a Heinz.

Obviamente, houve um longo caminho trilhado até alcançar esse patamar, e o livro Sonho Grande, escrito pela jornalista Cristiane Correa, tem como objetivo contar essa trajetória e destacar o que fez com que Lemann, Telles e Sicupira dominassem o mundo.

Desse best-seller é possível extrair lições excelentes para aplicar em sua jornada empreendedora e, assim, alcançar o sucesso. Quer descobrir algumas? Então siga em frente com a leitura!

1. Aplicar a meritocracia na prática

Quem lê Sonho Grande logo percebe que Jorge Paulo Lemann e seus sócios são defensores ferrenhos da meritocracia e da cultura empreendedora entre os funcionários. Uma das principais aplicações desse conceito é o chamado Modelo 20-70-10, que consiste em:

  • recompensar os 20% de funcionários com melhor desempenho;
  • manter os 70% de funcionários com resultados medianos; e
  • demitir os 10% de funcionários com a pior performance.

Durante toda a trajetória dos empreendedores, houve muita crítica sobre a quantidade de colaboradores demitidos. Ainda assim, a metodologia nunca deixou de ser aplicada — até porque o percentual de funcionários recompensados sempre foi superior.

O objetivo é manter somente os melhores colaboradores e estimulá-los a alcançar resultados de alto desempenho. Nesse sentido, as demissões são uma forma de abrir espaço para novas pessoas.

Outras medidas também reforçaram a aplicação da meritocracia:

  • suas organizações têm como prática oferecer uma parcela menor de salário fixo e maior de remuneração variável, atrelada aos resultados obtidos pelo colaborador;
  • O Banco Garantia, primeira empresa do trio, foi uma das primeiras do Brasil a oferecer a possibilidade de os melhores funcionários se tornarem sócios — na verdade, Marcel Telles e Beto Sicupira se tornaram parceiros de Jorge Paulo Lemann dessa forma!

Não é impressionante que dois dos melhores funcionários de Lemann sejam, hoje, sócios de igual importância?

2. Ter apreço pela simplicidade

A simplicidade sempre teve ênfase nos negócios do grupo, como fica claro no livro Sonho Grande. Afinal, Lemann, Sicupira e Telles nunca fizeram questão de desfrutar nem de oferecer aos seus funcionários de alto escalão carros luxuosos, frotas de jatinhos e outras mordomias. Algo tão comum em grandes corporações.

No lugar do terno e gravata, os três vestem roupas simples, como jeans e mochila nas costas, ainda que estejam na presidência da empresa.

/QUOTE Um dos princípios do Banco Garantia afirmava que “o simples é sempre melhor que o complexo”. /QUOTE

Essa filosofia também é aplicada aos demais negócios: Lemann considera que uma de suas maiores qualidades é a capacidade de identificar o que é realmente importante para um negócio. E assim, remover todo o excedente.

Não há dúvidas de que essa estratégia rendeu bons resultados, não é mesmo?

3. Manter hierarquias enxutas

Até mesmo como consequência da valorização da simplicidade, uma prática sempre foi adotada a cada nova aquisição: identificar excessos no organograma e enxugá-lo a fim de torná-lo mais ágil.

Marcel Telles, Beto Sicupira e Jorge Paulo Lemann evitam a contratação de muitos chefes a fim de que o fluxo decisório seja rápido. Para que uma decisão seja colocada em prática, o ideal é que ela precise ser aprovada pela menor quantidade de pessoas possível.

Faz sentido, tendo em vista que com tanta concorrência por todos os lados nos dias de hoje, muitas das grandes empresas deixam de existir justamente pela falta de agilidade na tomada de decisões.

A importância das hierarquias simples se reflete até mesmo no ambiente de trabalho: os escritórios das empresas tendem a ser abertos, sem paredes, para que todos trabalhem no mesmo ambiente. Até mesmo as diretorias.

4. Promover um crescimento contínuo

Uma das grandes marcas do grupo é a ousadia de continuar crescendo quando muitos outros parariam. Quando a Brahma foi comprada, em 1989, eles poderiam se dar por satisfeitos. Mas partiram para cima da Antarctica e adquiriram a empresa em 1999. Promovendo a fusão das maiores rivais do setor e a criação da AmBev.

O crescimento seguiu em frente, de forma que a AmBev atualmente é dona de marcas fortes, como Guaraná Antarctica, Pepsi, Sucos Do Bem, Bohemia, Caracu, Skol, Lipton e Gatorade.

Mas por que tamanha sede de expansão? A razão está explícita no livro Sonho Grande: como as suas empresas possuem muita gente boa, é importante que haja crescimento contínuo para que esses funcionários tenham espaço de ascensão. Do contrário, acabariam migrando para concorrentes.

5. Incentivar a tomada de riscos

Assumir riscos é essencial para quem deseja obter resultados fora do comum. Essa filosofia é aplicada pelo trio de empreendedores brasileiros em suas organizações. Especialmente na escolha de novos colaboradores.

Desde o momento do recrutamento e da seleção, as empresas do grupo buscam pessoas que tenham a ambição de alcançar o sonho grande. Ou seja, de crescer cada vez mais nas empresas até, quem sabe, se tornarem sócios um dia.

6. Buscar sócios com perfis complementares

A sociedade formada por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira já dura mais de 40 anos. Segundo a autora de Sonho Grande, o segredo dessa sinergia de sucesso está justamente no fato de se complementarem nos negócios.

Beto tem como característica abrir mercados, explorar novas opções de negócios e liderar iniciativas de crescimento. Marcel tem um perfil mais executor, de colocar a mão na massa e fazer as coisas funcionarem de perto.

Para completar, Lemann atua como “maestro” nas palavras da própria Cristiane Correa. Ou seja, é aquele que implantou todo o modelo de gestão adotado pelos três e rege o trabalho de todos.

7. Ser impessoal com a família

Muitos pequenos empreendedores iniciam a sua jornada em negócios familiares. É um caminho lógico. Afinal, as pessoas da família tendem a ser as mais próximas e confiáveis.

Isso não é um problema — grandes empresas também começaram dessa forma, como o Walmart, Volkswagen e Gerdau. Mas, se há uma lição aprendida em Sonho Grande, é que a linha que separa família de negócios não pode ser confundida.

Alguns episódios contados no livro deixam isso claro: um sobrinho de Lemann perguntou ao tio, em certa ocasião, se poderia conhecer o camarote da Brahma no Carnaval. A resposta foi direta:

QUOTE “Aquilo é um negócio. Os convidados são pessoas famosas, mulheres bonitas e quem possa me ajudar a ganhar dinheiro. Você está em alguma dessas categorias?” QUOTE

Em outra ocasião, um dos filhos de Marcel Telles, com 11 anos, contou ao pai que gostaria de trabalhar em uma de suas empresas. Telles explicou ao filho que isso seria impossível, pois os herdeiros dos três sócios não podem fazer carreira em suas companhias. No máximo, serem trainees durante um ano.

8. Cortar custos é imprescindível

Beto Sicupira sempre diz que custo é como unha: sempre é necessário cortar. Essa lógica está no DNA de todas as companhias administradas pelos três.

Em 1989, quando a Brahma foi adquirida, havia uma série de ajustes a serem feitos nesse sentido. Restaurantes, vagas de estacionamento e banheiros exclusivos para executivos e muito papel, resultado do excesso de burocracia. Tudo isso foi revisto.

O trio acompanha de perto o fluxo de caixa das suas empresas e buscam rever custos constantemente a fim de economizar. Até pequenos custos que passam despercebidos pela maioria das empresas, como o consumo de papel das impressoras, é observado.

9. Criar uma metodologia de sucesso (ou copiá-la!)

O livro Sonho Grande possui um capítulo dedicado a mostrar como o modo de operação de Marcel, Beto e Lemann era replicado em todas as empresas adquiridas pelo grupo. Um sistema único que normalmente gerava bons resultados.

Esse procedimento padrão observa as especificidades de cada negócio. Mas se resume, basicamente, à aplicação das lições aprendidas aqui (e algumas outras!):

  • manter as finanças em dia;
  • cortar custos e economizar sempre que possível;
  • usar métricas para acompanhar o desenvolvimento da empresa;
  • premiar os melhores funcionários por meio da meritocracia; e
  • evitar grandes mudanças no primeiro ano após a aquisição, a fim de conhecer melhor a empresa.

Além disso, os três se orgulham de copiar boas ideias: o próprio modelo 20-70-10 foi aplicado originalmente na companhia norte-americana General Electric (GE); e quando compraram as Lojas Americanas, os brasileiros se encontraram com Sam Walton para entender o funcionamento do Walmart de perto e implementar as boas ideias no Brasil.

10. Valorizar a educação

Embora o mérito dos seus parceiros sejam medidos pelos resultados práticos, o grupo sabe que alcançar o sonho grande torna-se ainda mais possível se o indivíduo possui uma boa base educacional.

Por isso, os sócios criaram diversas iniciativas em favor da educação. A principal é a Fundação Estudar, organização sem fins lucrativos que possui três grandes projetos:

  • Líderes Estudar: foca no desenvolvimento profissional e apoio financeiro a fim de formar grandes líderes;
  • Estudar Fora: busca disseminar histórias de inspiração e oferecer bolsas e auxílio para quem quer viver uma experiência de estudos no exterior; e
  • Estudar na Prática: promove entrevistas com grandes líderes, mostra o dia a dia de trabalho em diversos setores e oferece cursos que estimulam o desenvolvimento profissional.

Os três grandes empreendedores entendem que o crescimento não só dos seus negócios, mas do Brasil, envolve necessariamente o desenvolvimento educacional. Por isso, colocam essa filosofia na prática!

O livro Sonho Grande conta a história de três empreendedores que, atualmente, lideram grandes empresas. Mas como vimos, as suas lições podem ser aplicadas em negócios de todos os tamanhos. Conhecer a história e as boas lições de empresários de sucesso é importante para entender as suas práticas e se inspirar a voar alto, não é verdade?

Fonte: Saia do lugar